Como instituir uma nova ordem nacional, rompendo com o
passado, e preparar o país do futuro? Como é possível criar uma nova
Constituição, depois de longos anos de ditadura militar, sem tratar cada pessoa
como verdadeira célula do corpo deste gigante chamado Brasil?
Provavelmente não foram, ipsis litteris, essas as perguntas que pairaram nas mentes dos
membros da Assembleia Constituinte de 1987. Porém, a brilhante posição adotada
por aqueles homens e mulheres, que tiveram nas mãos a responsabilidade de criar
a Nova Lei Maior, nos leva a crer que o sentimento à época pode, perfeitamente,
ser traduzido por tais indagações.
Um país que acabava de sair de um longo período de
repressão aos direitos mais fundamentais de expressão, sem democracia, onde quem
expressava ser contra o regime era brutalmente vilipendiado, necessitava
urgentemente se recompor e fechar as cicatrizes de tantas atrocidades. Nesse
cenário e ainda embalada pelo movimento Diretas
Já, foi instituída a Assembleia Nacional Constituinte, que assim,
conclamava todo o povo brasileiro a participar desse fato inédito da História
Brasileira.
Conclamar a população, por si só, seria inócuo se não
fossem criados canais de comunicação que permitissem a efetiva participação
popular. Surgia, então, a “Carta ao País
dos Sonhos”, que consistia em formulários colocados à disposição nas
agências dos Correios, dando oportunidade a quem não tinha condições de se
juntar às inúmeras comitivas com destino à Brasília, para também expressar suas
ideias, sugestões e, assim, seus sonhos.
De todos os cantos do país foram chegando à Brasília, as
sugestões que embasaram a nossa Constituição atual nas áreas de saúde, reforma
agrária, combate à corrupção, direito da mulher, do indígena, educação, além
de, primordialmente, exigir que se fizesse garantir todos direitos usurpados
pelo já mencionado período ditatorial.
Cada carta trazia não somente sugestões, mas
principalmente o sonho de se criar um país melhor, mais digno e democrático
para si e também para as gerações futuras. Hoje, quase 30 anos depois, aqueles
remetentes podem observar o fato sob duas óticas: a inicial, que definiria o
país idealizado; e a outra, a diferença consistente entre estes e aqueles dias,
as conquistas e tudo o há de se conquistar para alcançarmos, de fato, uma “Constituição
Cidadã”, e para que o Brasil possa cumprir o seu destino: “Ser o país do
futuro!”.
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