segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Cartas ao país dos sonhos.

Exercício proposto pela disciplina de Direito Constitucional, após exibição do vídeo "Cartas ao país dos sonhos". Adorei escrevê-lo.É muito interessante ver um texto nascer, tomar forma e crescer.



Como instituir uma nova ordem nacional, rompendo com o passado, e preparar o país do futuro? Como é possível criar uma nova Constituição, depois de longos anos de ditadura militar, sem tratar cada pessoa como verdadeira célula do corpo deste gigante chamado Brasil?
Provavelmente não foram, ipsis litteris, essas as perguntas que pairaram nas mentes dos membros da Assembleia Constituinte de 1987. Porém, a brilhante posição adotada por aqueles homens e mulheres, que tiveram nas mãos a responsabilidade de criar a Nova Lei Maior, nos leva a crer que o sentimento à época pode, perfeitamente, ser traduzido por tais indagações.
Um país que acabava de sair de um longo período de repressão aos direitos mais fundamentais de expressão, sem democracia, onde quem expressava ser contra o regime era brutalmente vilipendiado, necessitava urgentemente se recompor e fechar as cicatrizes de tantas atrocidades. Nesse cenário e ainda embalada pelo movimento Diretas Já, foi instituída a Assembleia Nacional Constituinte, que assim, conclamava todo o povo brasileiro a participar desse fato inédito da História Brasileira.
Conclamar a população, por si só, seria inócuo se não fossem criados canais de comunicação que permitissem a efetiva participação popular. Surgia, então, a “Carta ao País dos Sonhos”, que consistia em formulários colocados à disposição nas agências dos Correios, dando oportunidade a quem não tinha condições de se juntar às inúmeras comitivas com destino à Brasília, para também expressar suas ideias, sugestões e, assim, seus sonhos.
De todos os cantos do país foram chegando à Brasília, as sugestões que embasaram a nossa Constituição atual nas áreas de saúde, reforma agrária, combate à corrupção, direito da mulher, do indígena, educação, além de, primordialmente, exigir que se fizesse garantir todos direitos usurpados pelo já mencionado período ditatorial.
Cada carta trazia não somente sugestões, mas principalmente o sonho de se criar um país melhor, mais digno e democrático para si e também para as gerações futuras. Hoje, quase 30 anos depois, aqueles remetentes podem observar o fato sob duas óticas: a inicial, que definiria o país idealizado; e a outra, a diferença consistente entre estes e aqueles dias, as conquistas e tudo o há de se conquistar para alcançarmos, de fato,  uma “Constituição Cidadã”, e para que o Brasil possa cumprir o seu destino: “Ser o país do futuro!”.

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