domingo, 9 de outubro de 2011

Decorando o Alcorão (Koran by heart)

Você já imaginou decorar a Bíblia para recitá-la em sua igreja? A Bíblia é certamente maior que o Alcorão. Juntos os livros do Antigo e do Novo Testamento são praticamente indecoráveis. Mas, digamos que decorássemos apenas o cento e cinquenta capítulos dos Salmos... Pois então...

Acabei de assistir ao documentário "Koran By Heart", de Greg Barker, que traduzido é "Alcorão Decorado" ou como o título em português "Decorando o Alcorão". De maneira muito interessante e sensível, uma pequena parte do mundo muçulmano é mostrada de maneira não esterotipada e sem fundamentalismos.

Um grupo de pessoas, especialmente crianças, que decoram o Alcorão e o recitam no Egito, num campeonato anual, durante o Ramadã. Em alguns casos, as crianças não sabem falar o idioma árabe, mas recitam o Alcorão de cor, quase com perfeição, objetivo do campeonato.

Destacam-se três crianças, um menino do Senegal, uma menina de Maldivas e outro menino do Tajiquistão, todos, de família com poucas condições econômicas. Mas, com exceção do senegalês, saem de seus países e vão ao Egito acompanhados pelos pais.

O menino senegalês, que não foi acompanhado pelo pai, obteve pontuação muito baixa, e saiu choroso. Foi convidado para recitar em uma outra apresentação na Mesquita.

A menina de Maldivas ficou em segundo lugar, perdendo para um rapaz egípcio de 17 anos. Ela sonha em ser uma exploradora (provavelmente bióloga) dos mares, e estudar as espécies de peixes. Enquanto seu pai sonha em se mudar com a família para o Iêmen para que a menina possa ter uma melhor formação.


O menino do Tajiquistão foi analisado como gênio de voz angelical. Enquanto o pai, também, se preocupa com sua formação, pensando também em morar em outro país que não o seu.

O que retiro do documentário: 1) As pessoas diferem-se uma das outras pela cultura; 2) Pais e mães, não importa em que país, sob qual cultura, seus sentimentos pelos filhos, na essência, são os mesmos, ainda mais quando se trata de preocupação com o futuro; 3) O mundo seria muito mais fácil se houvesse respeito pela religião do outro.

Duas outras passagens: Uma especialista no "Alcorão" disse uma coisa que me chamou a atenção: "O Alcorão foi a terceira mensagem (de Deus aos homens), tendo a primeira sido trazida por judeus, a segunda pelos cristãos e a terceira pelos muçulmanos", e o pai da menina que ficou em segundo lugar no campeonato, diz que, segundo o profeta Maomé, "O homem é uma só pessoa enquanto a mulher é uma nação", certamente se referindo à sua preocupação e o cuidado pelo futuro de sua filha.

Vale a pena assistir e tirar suas próprias conclusões.

O documentário será exibido no Festival do Rio deste ano.

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