sábado, 3 de setembro de 2011

O Brasil (não) investe em educação

Eu não aguento mais aquela cantiga, aquele velho discurso de que nosso país não investe em educação. Não sei se tenho o pensamento errôneo ou se vivo (eternamente) com a síndrome de Poliana, o que faria da cantiga e do velho discurso uma grande realidade, que por assim dizer, indicaria a síndrome instalada em meus neurônios.

Analisando meu pequeno mundinho, pois há muito não tenho mais contato com um mundo maior, onde as pessoas se aglomeram nas ruas e, trabalhar muito, estudar à noite, falar um outro idioma é a coisa mais normal que existe... Nesse meu pequeno mundo, há alguns colégios e escolas, uma faculdade presencial, uma telepresencial (já houve duas).

Sinto que aqui o acesso à educação é tão-tão fácil. Claro que não a educação de nível superior, que está brotando e ainda com poucos alunos. Vejo que, pelo menos nos ensino fundamental e médio, só não estuda quem não quer. Então, olhando desse prisma, como poder dizer que não há investimento em educação?

Ontem mesmo, perguntei a uma pessoa: "Você está estudando?" Ela me respondeu: "Não" e nem teve um sorrisinho sem graça. Por que eu perguntei isso? rs. Ontem foi o meu dia de perguntas indigestas... mas fazer o quê... acho que isso é meio incontrolável em mim, mas posso assegurar uma coisa, a maioria não tem a menor intenção de ofender ninguém.

Voltando, perguntei se a pessoa estudava, porque ela é uma ex-presidiária, que se encontra cumprindo pena em Regime Aberto. Ora, se a Lei de Execuções Penais, modificada pela lei 12.433/11, que em seu artigo 126, I, § 6º, permite que o reeducando tenha sua pena diminuída em um dia a cada doze horas de aula, além de conseguir reduzir um tanto com a conclusão das diversas etapas do ensino, por que não estudar? Por que não enfrentar os  bancos de uma escola, com o objetivo (nobre) de se livrar o quanto antes de uma pena de reclusão?

Essa lei, reflete uma ideia que sempre tive comigo, pois já que os presos, não podem ser obrigados a trabalhar, por lei, deveriam ao menos, ser (obrigado) incentivado aos estudos.

Mas eu comecei falando sobre uma coisa e estou indo à outra. Voltando, acredito que o país tem investido sim em educação. Pode não ser tão intensamente como muitos gostariam, mas antes, digamos há vinte anos, a situação era muito diferente, época em que estávamos entrando numa nova época no país com nosso primeiro presidente eleito e blá-blá. Quem me dera, se naquele tempo, houvesse o apoio que há hoje, certamente não teria que esquentar os bancos da faculdade, como faço agora, depois de velho.

Agora, uma coisa eu acredito. O país não investe muito nos professores, o que, se investir em educação é investir em professores, talvez esse investimento não exista mesmo. E, aqui não quero falar apenas em dinheiro, até porque nesse meu pequeno mundinho, muitos professores são de estados do Nordeste, onde estariam, ganhando menos, conforme eles mesmos relatam.

O investimento nos professores deve, também, criar mecanismos para que possam trabalhar sem medo, sendo respeitados, coisa que desde meus idos de primário, existia, e aí de quem respondesse a um professor (à época a palmatória já havia sido abolida, rs).

Além de pensar que os professores não são muito respeitados, como deveriam, penso que eles mesmos não se valorizam, mesmo assim, aponto que o problema não está neles, mas de toda uma sociedade que não os coloca em seu lugar merecido.

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