segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Valeu a pena!

Inicio este semestre na faculdade com um exercício proposto, ainda no primeiro período, por nossa professora de Português Jurídico, Profacarmen: uma outra análise da música "Pescador de Ilusões" do grupo "O Rappa".

Em aula, estudamos implícitos na música que nos levassem à religião. Depois, pela professora nos foi proposto procurar no texto elementos que levassem à violência e o tráfico de drogas e reescrevêssemos a nossa interpretação.

Eis a minha interpretação: (Pescador de Ilusões - O Rappa)

Se meus joelhos não doessem mais
diante de um bom motivo
que me traga fé, que me traga fé

Comentário: "Diria da dificuldade do esforço implementado por pessoas, na tentativa de resgatar os jovens que vivem em favor do tráfico. Incluindo aí, a procura por motivação que mantenham essas pessoas firmes neste propósito, apesar das dificuldades de se enfrentar o mundo do crime".

Se por alguns segundos eu observar
e só observar a isca e o anzol a isca e o anzol
ainda assim estarei pronto pra comemorar
se eu me tornar menos faminto que curioso, curioso

Comentário: "Analisar tanto a realidade da droga quanto a do traficante. Que mesmo que essa pessoa parasse para olhar mais detidamente o ser traficante e a coisa droga, ou seja, se desviasse o seu foco da pessoa a quem quer resgatar, mesmo assim, encontraria motivos que não o deixasse desistir, ou seja, teria motivos para comemorar.


A iniciativa de se trabalhar no resgate de jovens que se perdem no mundo das drogas e do crime é estressante e gera muita ansiedade. Portanto, o menos faminto seria menos ansioso. E, o curioso, dá  a noção de deixar as coisas fluírem de modo mais natural, pois não se resgata ninguém da violência de uma hora para outra."

O mar escuro trará medo lado a lado
com corais coloridos

Comentários: "O mar escuro seria, exatamente, os caminhos por onde essa pessoa seria obrigada a passar, para o efetivo trabalho de resgatar essas almas perdidas. Quando digo caminhos, me refiro não somente ao adentrar o morro, a favela, a festa "rave", mas também ao iminente desafio de ter que enfrentar o próprio traficante e seu mundo do tráfico, que por mais que dele se tenha conhecimento se mostra obscuro, pois essa pessoa não o vive em sua totalidade. Os corais coloridos são as pessoas resgatadas. Considero 'Pescador de Ilusões' essas pessoas que se atiram em meio ao mundo do tráfico e da criminalidade para tentar resgatar quem vive escravizado por ele.

Valeu a pena eh eh sou pescador de ilusões

Se e eu catar
na superfície de qualquer manhã
as palavras de um livro
sem final, sem final,
sem final, sem final, final

Comentários: "Catar seria o verbo mais apropriado para substituir pelo já explanado resgatar. As palavras seriam as vitórias, assim, catar os resgates bem sucedidos. Um livro sem final, um livro com muitíssimas páginas, e a problemática do resgate de pessoas do mundo do tráfico e da violência bem se adequa, pois demanda tempo. A palavra final NO final denota que tudo tem fim, e que se faz necessária até para que essa pessoa, o Pescador de Ilusões, possa olhar pra trás e ver que tudo Valeu a Pena".

Posso estar aquém da real interpretação da música, e nem é minha intenção acertar... até porque não sou ouvinte da banda, mas ao ouvir pela primeira vez essa música a percebi de maneira muito otimista, que expressa que por qualquer coisa que se tenha passado, sempre vale a pena a tentativa. Ouvi-la e debatê-la na sala de aula do Curso de Direito, modificou a nossa ideia de interpretação única.

Um grande abraço à nossa ex-professora de Português, Carmen, sei que como grande fã de O Rappa, que você é, pode com certeza dizer Valeu a Pena!

Nenhum comentário:

Postar um comentário