Já são mais de dez anos do lançamento, mas a emoção de assistir ao filme Central do Brasil continua a mesma. As lágrimas sempre vem no final do filme, quando Dora deixa o pequeno Josué com os irmãos e volta para o Rio.
Sintonizei no canal Brasil hoje, último dia do ano de 2010, tempo chuvoso, daqueles que não dá vontade de sair de casa e nem do sofá. A chuva de tão intensa cortou o sinal da TV por assinatura. Fiquei sem o sinal por uns trinta minutos, e quando voltou - ainda bem - o filme não tinha terminado.
Esse filme mexe muito comigo. Muito brasileiro. Seus cenários são muito familiares pra mim, desde a própria Central do Brasil, no Rio, passando pelo prédio (que acredito se chamar vulgarmente de minhocão), próximo à Avenida Brasil, até as terras áridas do Nordeste brasileiro.
Pena que o filme não ter sido o vencedor do Oscar de Melhor Filme estrangeiro, perdendo para A Vida é Bela (que à época eu gostava de chama de La vitta è cosi, só de sacanagem).
A viagem introspectiva de Dora, levando o pequeno Josué até sua família no agreste, se assemelha muito com a minha própria viagem, quer tenha sido introspectiva ou não, e isso ainda não sei, só sei que a cada dia que passa vai tomando contornos de viagem em busca de meu próprio destino.
São dezoito anos de andanças por este Brasil desde que saí do Rio de Janeiro, minha terra amada, que adoro tanto. Espero um dia fazer como a Dora do filme, voltar ao ponto de partida, porém, levando tudo aquilo que conquistei durante o meu percurso, pois aqui casei e hoje temos Davi e as coisas parecem se encaixar, como deveria ser.
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer, quero viver
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
depois que me encontrar
Desejo a todos que porventura lerem este post, um Feliz Ano Novo!
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